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EXPOFEIRA 2026

terça-feira, 29 de outubro de 2024

GM discute criação de carta de serviços para apoio a mulheres vítimas de violência

 

Guia detalhado dos recursos e serviços disponíveis para mulheres em risco de violência doméstica e familiar

Na última quinta-feira (24), o comandante da Guarda Municipal de Feira de Santana, Marcos Dantas, participou de uma reunião no auditório do Comando de Policiamento Regional Leste (CPRL) em Feira de Santana, com o objetivo de discutir a criação de uma carta de serviços voltada ao atendimento de mulheres em situação de violência doméstica. O documento busca facilitar o acesso dessas mulheres às redes de apoio.

Organizada pelo Programa Patrulha Maria da Penha, da Polícia Militar, a reunião contou com representantes de diversos órgãos, incluindo a Polícia Civil, a Defensoria Pública, a Polícia Técnica, o Conselho Tutelar, além das secretarias municipais da Mulher e do Desenvolvimento Social. A ideia é que todos os setores estejam alinhados quanto à forma de atender essas mulheres, promovendo acolhimento e encaminhamento adequados para cada caso.

Durante o encontro, foram iniciadas as discussões sobre as estratégias de atendimento e as funções de cada órgão no suporte a mulheres em situação de vulnerabilidade. Segundo Marcos Dantas, “Estamos aguardando novas reuniões para concluir a carta e, em seguida, implementá-la”. Dantas espera que o documento possibilite um atendimento mais estruturado e sensível para as vítimas de violência.

O documento servirá como um guia detalhado dos recursos e serviços disponíveis para mulheres em risco de violência doméstica e familiar, incluindo acolhimento provisório, orientações sobre onde buscar ajuda e acesso aos serviços de apoio psicológico e social. 

Colbert Filho autoriza expansão do programa Jovem Aprendiz Feirense para atender mil jovens

 

Resultados positivos do programa foram apresentados nesta manhã

Pontualidade, desempenho, seriedade com o trabalho, empatia e encantamento com a atividade que tem sido desenvolvida com qualidade e preocupação. Os resultados positivos do programa Jovem Aprendiz Feirense foram apresentados na manhã desta terça-feira (29), em solenidade realizada na Igreja do Avivamento Bíblico. 

A cerimônia teve a presença do prefeito Colbert Martins Filho, da secretária municipal de Educação, Anaci Paim, e da     primeira-dama do Estado de Goiás, a feirense Maria das Graças Caiado. Ainda, o vice-prefeito eleito, Pablo Roberto, e demais secretários municipais. 

"Há um ano começamos esse projeto, a quem agradecemos a primeira-dama de Goiás que nos deu total apoio para trazermos para nossa cidade esse programa voltado a nossa juventude. Hoje autorizo que o Jovem Aprendiz Feirense atenda até mil jovens", disse o chefe do Executivo Municipal.

O programa foi lançado em 2023 ofertando a qualificação profissional a 100 jovens da rede municipal de ensino. Agora, expandiu sua capacidade de 600 para mil jovens. Eles que atuam em escolas da rede municipal de ensino. 

A iniciativa está sendo desenvolvida pela Prefeitura de Feira de Santana através da Secretaria Municipal de Educação e em parceria com a Rede Nacional de Aprendizagem, Promoção Social e Integração (Demã by Renapsi).

"O investimento que nós estamos fazendo com esses jovens tem revelado características muito significativas de desenvolvimento de potencialidades, como o encantamento com a própria atividade, a iniciação profissional, a pontualidade, a seriedade com o trabalho e o serviço sendo realizado com qualidade. Tudo isso tem uma relevância muito grande", destacou a gestora da Educação, Anaci Paim, pontuando o seu sentimento diante dos inúmeros e expressivos investimentos que a Prefeitura de Feira tem feito com a Educação. 

O programa é destinado para estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e do ensino fundamental na rede municipal de Feira de Santana, com renda familiar per capita de até 2 salários mínimos. 

Estudante da Escola Municipal Chico Mendes, no Campo Limpo, Isadora Susane Dias é um desses jovens que encontrou no programa uma oportunidade. Aluna do Educação de Jovens e Adultos (EJA), a jovem de 21 anos diz que se sente feliz e valorizada em estar inserida em uma atividade laboral. 

"Estou investindo o dinheiro que recebo em um curso de manicure", disse a jovem estudante que está atuando na Escola Municipal Regina Vital.

Outro estudante contemplado com essa iniciativa é Gabriel Leite Alves, de 16 anos. O estudante da Escola Municipal Enestina Carneiro, situada na Rua Nova, falou do seu crescimento pessoal. "Esse programa me deu experiência profissional e tem me ajudado a me relacionar em equipe", comentou. Ele atua na Escola Municipal Tereza Cunha.

A primeira-dama de Goiás, Maria das Graças Caiado, destacou os programas sociais que vem sendo desenvolvidos no estado para "romper o ciclo de pobreza" - a exemplo do "Aprendiz do Futuro", como o programa é chamado lá. 

"E é essa mesma oportunidade que o prefeito Colbert Filho tem dado a vocês. Agarrem com determinação e amor. Se empenhem porque é uma oportunidade para vocês e nada rompe o ciclo de pobreza se não for através da Educação. Estou muito orgulhosa em estar aqui". 

Também estiveram presentes, os diretores da Demã Global, Adair Meira, e da Demã Regional Nordeste, Diego Rocha. 

CRITÉRIOS

Para participar do Jovem Aprendiz Feirense, os interessados devem ter idade entre 15 a 21 anos; renda familiar de até 2 salários mínimos per capita; ser estudante da rede pública da Educação de Jovens e Adultos (EJA) ou ensino fundamental vinculado à Rede Municipal de Ensino. 

Os estudantes recebem salário mínimo/hora, décimo terceiro salário, férias remuneradas, vale transporte, seguro de vida, uniformes e crachás. A carga horária é de 20 horas semanais. A participação nas aulas é obrigatória; a ausência implica afastamento.


Exposição fotográfica "Movimentos" em Feira de Santana até dia 30 de novembro

 

Imagens ampliadas e impressas em tecidos, e não em papel, como ocorre habitualmente, é a forma de apresentação dos trabalhos

Até o dia 30 de novembro, os fotógrafos e os aficionados da arte fotográfica de Feira de Santana e região poderão apreciar no Museu Regional de Arte de Feira de Santana (MRA), no Centro Universitário de Cultura e Arte (CUCA), a mostra "Movimentos", realizada pelo Salvador Foto Clube (SFC), alusiva aos 20 anos de fundação da entidade na capital baiana, o que ocorreu em agosto de 2004. Antes de vir para Feira de Santana, a mostra foi exibida, durante o mês de setembro no Teatro Gregório de Matos, em Salvador.

Trata-se de uma mostra considerada de excelente qualidade, reunindo 37 trabalhos de integrantes do SFC, apresentados de forma interessante, garante o professor e renomado fotógrafo feirense José Ângelo Pinto, que recomenda ao público não perdê-la. “Há tempo suficiente. A exposição está programada para ir até 30 do próximo mês, ou seja, novembro”, alertou.

Imagens ampliadas e impressas em tecidos, e não em papel, como ocorre habitualmente, é a forma de apresentação dos trabalhos, o que já se constitui em uma novidade, contudo, sem interferir na qualidade artística das obras. Há trabalhos em preto e branco e também coloridos, mas todos refletindo os cenários captados, apurada técnica e capacidade autoral de transmitir mensagens sem codificações que dificultem a sua compreensão pelo público, mesmo aquele sem maior vivência com a arte fotográfica.

Dentre outros trabalhos, são citadas como destaques as obras fotográficas de Vicente Reis, Allan Silva, Antônio Studart, Ana Kruschewsky e Ulla Von Czékus. A diretora do Salvador Foto Clube, Marta Suzi, ressalta que a entidade, que surgiu com 12 integrantes, hoje soma 60 membros, o que denota o nível de crescimento e de interesse pela atividade. Com "Movimentos", a exposição pretende a entidade “constituir possibilidades de valorização da fotografia com outras linguagens da arte, dando vez a questões contemporâneas”.

O fotoclubismo não é um movimento recente, tendo surgido com maior ênfase no início do século XX no Velho Continente, com presença mais significativa na Inglaterra e na França, possibilitando uma visão mais avançada sobre a atividade do fotógrafo e procurando dar à fotografia uma percepção de arte, já que ela cumpria o papel documental sem se ater ao grau de sensibilidade que viria a conquistar.

O Photo Club do Rio de Janeiro e o Photo Club Brasileiro foram os precursores no Brasil, no início do século XX. A Associação dos Fotógrafos Amadores da Bahia, surgida em 1957, foi a primeira entidade do gênero no estado. Mas a Cidade Princesa, que sempre registrou uma forte presença de fotógrafos, não ficou muito atrás e, em agosto de 1959, instalou o Clube dos Fotógrafos de Feira de Santana, idealizado pelo fotógrafo amador, desportista e comerciante Gerson Bullos, motivando muitos jovens que aderiram à atividade.

Já na década de 1970, época de intensa movimentação devido aos jornais locais, sucursais de jornais da capital e eventos sociais, foi fundado o Sindicato dos Fotógrafos Profissionais de Feira de Santana (SFPFS) pelo profissional mineiro Antônio Ferreira Magalhães, falecido em 2022.

O SFPFS congregou e valorizou a categoria mediante a realização de cursos, concursos e eventos diversos, gerando também a renovação e o surgimento de muitos diletantes e profissionais, alguns deles em atividade até os dias atuais. Mais recentemente, a cidade contou com um clube de fotografia já extinto, lembra José Ângelo Pinto, um dos fundadores da agremiação.

Por: Zadir Marques Porto

Prefeitura de Feira de Santana define prazos para encerramento financeiro de 2024

 

Decreto estabelece cronograma com prazos rígidos para empenhos, liquidações e prestação de contas

O prefeito Colbert Martins da Silva Filho publicou o Decreto nº 13.644 que estabelece os procedimentos e prazos a serem seguidos para o encerramento do exercício financeiro deste ano. A medida visa garantir a regularidade das contas públicas e a prestação de contas conforme exige a Constituição Estadual e o Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia (TCM-BA).

Conforme o decreto, publicado na edição do Diário Oficial Eletrônico do Município no último sábado (26), os gestores municipais devem seguir um calendário rigoroso para a finalização dos empenhos, liquidações e pagamentos de despesas. O prazo final para a realização de empenhos é 18 de novembro de 2024, enquanto as despesas devem ser liquidadas até 20 de dezembro, com pagamentos concluídos até 23 de dezembro. A Secretaria Municipal da Fazenda (SEFAZ) poderá avaliar casos excepcionais relacionados a recursos vinculados até 27 de dezembro.

As medidas também envolvem o cancelamento de restos a pagar e a anulação de empenhos considerados insubsistentes, que devem ser formalizados até o dia 18 de novembro. Além disso, os responsáveis por adiantamentos terão até 29 de novembro para apresentar comprovações e recolher eventuais saldos remanescentes.

Outros pontos importantes do decreto incluem a prestação de contas anual, que deverá ser enviada à Controladoria Geral do Município até 17 de janeiro de 2025 pelas autarquias municipais, enquanto os fundos especiais deverão cumprir o mesmo prazo para encaminhar suas documentações.

A administração municipal também se compromete com a transparência e a conformidade com as normas fiscais, destacando que o não cumprimento dos prazos estabelecidos poderá resultar em sanções aos servidores responsáveis.

O decreto ainda estabelece que a partir de agora até o final do exercício, as atividades relacionadas ao fechamento das contas públicas serão consideradas prioritárias, inclusive limitando a concessão de férias aos servidores diretamente envolvidos no processo a um máximo de dez dias até 31 de dezembro de 2024.


Com essas medidas, a Prefeitura de Feira de Santana reforça seu compromisso com a responsabilidade fiscal e a transparência na gestão pública, buscando encerrar o exercício financeiro de 2024 de forma organizada e em conformidade com as legislações vigentes.

Dival Pitombo - uma ausência sentida na Cidade Princesa

 

Erudito, era simples e acessível, mantendo um nível de equilíbrio com quem dialogava, sem exibir superioridade de conhecimento

Elegante, espargia educação e cultura a cada passo. Erudito, era simples e acessível, mantendo um nível de equilíbrio com quem dialogava, sem exibir superioridade de conhecimento. O feirense Dival da Silva Pitombo, nascido em 1916, formou-se em Odontologia em 1930 e, logo após, exerceu a profissão com desvelo, mas preferiu seguir o caminho das Letras e da Cultura, talvez por entendê-lo mais amplo, atraente e compatível com a sua personalidade.

A partir de 1940, no Colégio Santanópolis, estabelecimento de ensino particular, iniciou sua presença nas salas de aula. Foi um competente professor de História e diretor do Instituto de Educação Gastão Guimarães (IEGG), na época o mais importante estabelecimento da rede de educação do estado, no interior, especializado no curso de Magistério para a formação de professores. Vale dizer que jovens de várias partes da Bahia se deslocavam para a cidade princesa para obter o diploma de Magistério. Ele também ocupou a Diretoria de Vida Universitária da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS).

Dival da Silva Pitombo, filho do casal Joaquim Inácio Pitombo e Julieta da Silva Pitombo, foi diretor do Museu Regional de Feira de Santana logo que o órgão cultural foi inaugurado em 1967, pelo jornalista Assis Chateaubriand, proprietário dos Diários Associados, permanecendo no cargo com um trabalho significativo até 1989, quando faleceu. Foi membro e presidente da Academia de Letras de Feira de Santana, integrante do Conselho Estadual de Cultura, do Instituto Histórico e Geográfico da Bahia e da Associação Baiana de Imprensa.

Incentivador das atividades artístico-culturais, tornou-se referência de tal modo que era consultor dos jovens artistas, aos quais não negava palavras de orientação e estímulo, amparo que proporcionou o crescimento de muitos deles. Ocupou a cadeira 15 da Academia Feirense de Letras, da qual foi presidente, e transitou com qualidade pela literatura com o livro “Litania para o tempo e esperança”. Promoveu e contribuiu para a realização de várias exposições de arte no antigo Museu Regional de Feira, na rua Geminiano Costa, onde hoje funciona o Museu de Arte Contemporânea Raimundo Oliveira (MAC).

Como poeta, foi autor de várias obras nas quais evidenciava o seu espírito sensível ao belo e à natureza, como “Os flamboyans estão floridos”, traduzindo em palavras o clamor espetacular da natureza: “...Os flamboyans estão floridos. Verde e escarlate, mais escarlate que verde. É como um incêndio no mar. Na multidão indiferente, apenas a criança olha. Os flamboyans são para os pássaros e as crianças...”.

Por: Zadir Marques Porto

Futebol Feminino - Flamengo de Feira já teve cinco na seleção brasileira

 

Tricampeão baiano, o Flamengo de Feira conquistou outros títulos importantes e chegou a ter cinco atletas na seleção brasileira; uma delas, a canhota Sissi, que foi a melhor do país

Uma luta antiga, talvez sem o registro merecido, mas o futebol feminino - hoje em alta - há mais de um século vem buscando o reconhecimento como um esporte igual a tantos outros que lhe precederam. Chegou mesmo a ter sua prática proibida no país. A máxima de que “futebol é para homem” impediu o acesso de mulheres a essa atividade. Aqui em Feira, antes mesmo das tentativas do radialista Joel Magno, já falecido, a partir da década de 1960, outras tentativas haviam ocorrido sem sucesso. Na verdade, tempos atrás, nenhum pai e nenhuma mãe queria ver sua filhinha chutando uma bola. Isso era coisa de menino. Menina brinca é com boneca, dizia-se!

O tempo foi passando e, na década de 1970, o radiotécnico Edmilson Amorim, o popular “Michelinho”, vindo de Muritiba e já dirigente do tradicional Flamengo de Feira, resolveu mudar o panorama comum, criando o Flamengo feminino. Só não sabia que iria se notabilizar, tornando-se cidadão feirense, integrante dos quadros da Federação Baiana de Futebol e, mais importante ainda, ter o melhor time do Nordeste, contribuindo com cinco atletas para a seleção brasileira.

E foi assim! Em 1978, no bairro Rua Nova, ao lado do padeiro Expedito Martins, que trabalhava na extinta Padaria da Fé, Michelinho começou a observar umas garotas que gostavam de brincar com bola. Pouco tempo depois, no campo de areia Beira Riacho (hoje um pequeno estádio), havia um bom número de garotas treinando com a camiseta rubro-negra. E veio o primeiro desafio: enfrentar o Baiano de Tênis, que já tinha um time respeitado no estádio da Fonte Nova, em Salvador.

Em um jogo noturno, as meninas, algumas ainda “apiadas” devido às chuteiras novas, estranharam o gramado e a iluminação, resultando em 6 x 1 para o time da capital. O Flamengo de Feira jogou com: Rosângela, Ivonete, Lúcia, Marília, Neuma, Lucinha, Vilma, Ninha, Pitéu, Rose e Rosinha. Poucos dias depois, houve revanche no Joia da Princesa e o rubro-negro, melhor preparado, venceu por 2 x 1. Daí em diante, o Flamengo escreveria uma história de conquistas e glórias não alcançada por outra equipe baiana. Veio a Iª Copa de Futebol Feminino com 18 equipes da capital e interior.

Nos jogos semifinais: Baiano de Tênis 4 x 0 Ypiranga e Flamengo 2 x 0 Panteras de Ipiaú. Nos jogos finais, Baiano de Tênis 1 x 1 Flamengo, com 6 mil torcedores no Joia da Princesa. Depois, na Fonte Nova, Flamengo 2 x 1 Baiano de Tênis, com 14 mil torcedores, mas valeu o maior saldo de gols do clube de Salvador. O certame foi realizado pela TV Itapoã, e a renda distribuída pela senhora Irene Irujo, esposa do dono da emissora, Pedro Irujo, entre as duas equipes e as Voluntárias Sociais.

Em 1984, o Flamengo venceu o Campeonato Norte/Nordeste, obtendo a histórica Taça Irmã Dulce e ficou em terceiro lugar na Taça São Paulo, disputada na capital paulista, por times de vários estados. Em 1998, o rubro-negro foi campeão baiano invicto com: Gil, Mary, Net, Lucinha, Raélia, Bia, Rosângela, Maira, Joyce, Jane e Márcia. Já em 2018, as atividades do rubro-negro da Rua Nova foram encerradas.

“Foram 40 anos gastando e me desgastando, mas foi muito bom. Aí veio a profissionalização e não havia como eu manter uma estrutura desse nível”, garante Michelinho, não escondendo a saudade. “Era um grupo de jovens guerreiras que treinavam com vontade, viajavam, eram obedientes e não tinham negócio de dinheiro. Hoje, tudo é diferente”.

Lembra também que o Flamengo teve cinco jogadoras na seleção brasileira: Solange, Nalvinha, Dai, Márcia e Sissi, esta tecnicamente considerada a melhor jogadora do país. “Marta é uma jogadora muito boa, hoje é a melhor de todas, mas Sissi era muito melhor tecnicamente”, garante Michelinho.

Sissi foi descoberta por jogadores do time masculino do Flamengo em Campo Formoso, veio para o rubro-negro aos 17 anos, com consentimento dos pais ao dirigente do rubro-negro feirense. Ela encerrou a carreira nos Estados Unidos, onde reside e trabalha como professora de Educação Física. É cidadã norte-americana. Michelinho observa que o futebol feminino brasileiro ainda não é o melhor do mundo, mas tem no presidente da CBF um apoio muito grande. “Edinaldo Rodrigues é o maior incentivador desse esporte no Brasil. Com ele, o futebol feminino vai crescer muito mais. Ele fará muito pelo futebol feminino!”, garante.

Por: Zadir Marques Porto

 

O avanço da tecnologia não reduziu, até o momento, o uso do relógio; todavia, a falta de novos relojoeiros é o que preocupa, segundo o experiente Aleucik Almeida

Relojoeiro - uma profissão antiga, tão antiga quanto o que ele faz ou conserta, mas ainda importante nos dias atuais, contudo sem grande perspectiva de haver renovação. A facilidade que hoje existe de uma pessoa conhecer a hora por outros meios nada tem a ver com isso e não diminuiu a necessidade da profissão nem do aparelho, que é visto em milhares de braços, paredes e em outros locais, em todos os cantos do mundo.

O relógio, na sua forma mais antiga - relógio de sol, ampulheta e outros tipos rudimentares em relação aos atuais -, surgiu há mais de 1.200 anos para suprir a necessidade dos nossos antepassados de se situar no tempo, como preconizado pelo astrofísico italiano Galileu Galilei (1564-1642). Claro que, para chegar ao sistema e modelos atuais, foram muitos anos e muito trabalho.

O primeiro relógio de pulso teria sido fabricado por Abraham Louis Breguet em 1814, para atender a um desejo de Carolina Murat, verificando-se a partir daí a natural evolução; todavia, até hoje o relojoeiro não perdeu a característica de artesão, com o que concorda o experiente Aleucik Almeida Santos - Lêu, com mais de 40 anos de profissão. Ele não é o mais antigo relojoeiro da cidade, mas desfruta de inegável prestígio, inclusive como presidente da Associação dos Artesãos do Mercado de Arte Popular (MAP).

Lembra que começou aos 13/14 anos com o tio Wilson Jacaré. Proprietário do boxe ReloArte Modelo no MAP, casado e pai de dois filhos adultos - um casal -, ambos com ensino superior, ele se orgulha da profissão, mas demonstra preocupação pela falta de renovação. “Antes, qualquer profissional podia receber um jovem para lhe ensinar a arte; foi assim comigo e com centenas de outras pessoas. Hoje, as leis não permitem que menores trabalhem, e algumas pessoas, quando aprendem a profissão, em vez de ficarem gratas, entram na Justiça para tomar tudo de quem lhes ensinou”, relata.

Essa observação de Aleucik tem a concordância de Edson Santos, que também questiona a funcionalidade da lei em relação ao trabalho do menor. “Como é que podemos nos expor? E não é só em relação aos relojoeiros, em outras profissões também. Enquanto isso, muitos menores ficam nas ruas e, infelizmente, o que acontece todos sabem”.

Hoje, beirando os 700 mil habitantes, embora pelos dados do IBGE mantenham-se distantes disso, e com as pessoas em trânsito no dia a dia, estima-se que haja perto de um milhão de habitantes. Feira de Santana não conta com um número compatível de relojoeiros profissionais.

“Creio que temos em torno de 20, se muito. Agora, em se tratando de pessoas que fazem limpeza externa de um relógio, trocam uma pulseira, substituem uma bateria, podem ser muito mais. Relojoeiro mesmo são poucos”, garante. Conforme Lêu, mesmo com o advento dos relógios à bateria, os chamados automáticos, continuam tendo grande procura no mercado. Ele acredita que os relógios automáticos Orient e Champion sejam os preferidos, embora haja outras marcas com modelos mais modernos. O Mido e o Rolex, relógios considerados caros, têm menor fluxo nas lojas de conserto.

Como um relógio novo pode ter custo além do orçamento disponibilizado pelo pretendente, a saída é simples: “Geralmente, o relojoeiro adquire bons aparelhos de pessoas que compraram novos ou não querem mais usar os que possuem e, depois de uma revisão geral, vai vendê-los por um preço bem acessível”, ressalta.

Há mais de 40 anos dedicando seu dia a dia à profissão e hoje usando óculos para melhor manusear as pequeninas peças, com impressionante facilidade, Aleucik diz que se sente bem com o que faz. O tempo gasto no conserto de um relógio depende do defeito. “Há consertos rápidos, coisa de 20 minutos, e outros que podem durar até o dia todo e muito mais, porque quando não temos a peça para repor, precisamos recorrer ao fornecedor aqui em Feira ou em São Paulo. Nesse caso, o trabalho pode demorar até dias, enquanto esperamos a peça”.

Afeito ao serviço desde os 14 anos, quando começou, ele não vê qualquer dificuldade em desmanchar totalmente um relógio de pulso em minutos, limpá-lo, efetuar a troca de alguma peça e remontá-lo, o que para o leigo parece um terrível e inacessível quebra-cabeça. O custo de um conserto é variável, geralmente a partir de R$ 70,00. Nos aparelhos modernos, a troca de bateria é algo corriqueiro. Nos modelos automáticos, é mais comum haver uma parada: “Isso geralmente acontece quando o relógio é retirado do braço e fica assim durante horas, mas não é defeito, e tão logo ele é recolocado no braço, o balanço da máquina é reiniciado e ele funciona normalmente”, conclui.

Por: Zadir Marques Porto