Além do momento de acolhimento e orientação, os participantes tiveram acesso a outros serviçosPessoas com fibromialgia participaram, na tarde desta segunda-feira (1º), de uma roda de conversa em alusão ao Dia Nacional de Conscientização e Enfrentamento da Fibromialgia, celebrado em 12 de maio. A atividade foi promovida pela Associação Feirense de Apoio às Pessoas com Fibromialgia (Afafibrom), em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), e contou com a presença da diretora da Rede Própria de Saúde, Verena Leal.
Além do momento de acolhimento e orientação, os participantes tiveram acesso a serviços de vacinação contra a influenza, aferição da pressão arterial e teste de glicemia. A SMS também disponibilizou uma equipe da Central Municipal de Regulação para realizar agendamentos de consultas com reumatologistas, exames e outros procedimentos especializados.
Durante o encontro, Verena Leal entregou à presidente da associação, Bárbara Fontes, uma relação de consultas com reumatologistas já agendadas na rede municipal de saúde, reforçando o compromisso da gestão com a ampliação do acesso aos serviços especializados.
A diretora destacou a importância da iniciativa diante do crescimento dos diagnósticos da doença e da necessidade de fortalecer a assistência aos pacientes.
“A fibromialgia tem apresentado um crescimento importante de diagnósticos no Brasil e no mundo. Como rede de saúde, precisamos estar atentos a essa realidade, principalmente por se tratar de uma doença invisível, que ainda enfrenta muito estigma e subdiagnóstico. Nosso objetivo é oferecer uma assistência integral e de qualidade para essas pessoas”, afirmou.
A presidente da associação ressaltou a importância de ampliar o debate sobre a síndrome e combater a desinformação. Atualmente, a entidade reúne 518 pessoas cadastradas, enquanto a estimativa é de que cerca de duas mil pessoas já tenham sido diagnosticadas com fibromialgia em Feira de Santana.
“Falar sobre fibromialgia nunca é demais. Precisamos desmistificar paradigmas e mostrar à sociedade que essa doença é real. Não é frescura, nem algo que está apenas na cabeça das pessoas. É uma síndrome dolorosa que afeta o sistema nervoso central, provoca dores intensas e impacta significativamente a qualidade de vida dos pacientes”, afirmou.
Diagnosticada há 20 anos, Bárbara destacou ainda a importância da conscientização para reduzir o preconceito enfrentado por quem convive com a doença.
“Eu acordo todos os dias com dores e cansada, mas nem por isso paro de lutar. A nossa voz precisa ser ouvida para que esses estigmas sejam quebrados. Nós temos dor e temos pressa”, enfatizou.
A programação contou ainda com uma roda de conversa conduzida por especialistas, entre eles a psicóloga Julinda Ribeiro e uma médica reumatologista. Durante sua participação, Julinda chamou atenção para os impactos emocionais e sociais provocados pela fibromialgia, que vão além das dores físicas.
“Não é apenas uma questão física. Muitas vezes, as pessoas com fibromialgia têm sua dor invalidada e enfrentam inseguranças relacionadas ao trabalho, à autoestima, à autonomia e até às relações familiares. O acompanhamento psicológico é fundamental para ajudar esses pacientes a ressignificarem suas vidas após o diagnóstico, fortalecendo aspectos como autoestima, memória, atenção e adaptação à nova realidade”, explicou.
A psicóloga também destacou a importância da escuta qualificada e do acolhimento por parte da sociedade e dos profissionais de saúde.
“Muitos pacientes ainda ouvem que a dor é frescura ou coisa da cabeça. Por isso, é essencial que sejam acolhidos, escutados e validados em seu sofrimento. Essa dor é real e precisa ser reconhecida para que essas pessoas possam enfrentar a doença com mais segurança e qualidade de vida”, pontuou.